Livro: Asas da Loucura – Paul Hoffman

Hey, hey, hey!

Hoje vim falar de um livro que acabei de ler, é o Asas da Loucura: A extraordinária vida de Santos-Dumont, escrito pelo jornalista estadunidense Paul Hoffman. Eu comprei a versão de bolso em uma promoção na Americanas de uns tempos atrás e paguei R$9,90, atualmente esse versão está em torno de R$20 (ainda bem em conta) e a versão normal/não-bolso está R$50, porque tem bastante imagens, fotos das máquinas e tudo mais.
Primeiramente, quando vi que era uma biografia sobre Santos-Dumont fiquei com muita vontade de comprar, porque amo história e biografias, mas admito que não estava botando muito fé pelo autor ser estadunidense. A eterna polêmica com os irmãos Wright e quem fez o primeiro voo com uma máquina mais pesada que o ar, mas, para a minha alegria, o autor é bastante profissional e imparcial 🙂

FICHA TÉCNICA
Nome: Asas da Loucura: A extraordinária vida de Santos-Dumont
Autor: Paul Hoffman
Páginas: 412 (versão de bolso)
Editora: Objetiva
Ano: 2010
Sinopse:

Pela primeira vez, o premiado jornalista americano Paul Hoffman narra a verdadeira e extraordinária história da vida do aviador brasileiro Alberto Santos-Dumont e dos primórdios da aviação. Asas da Loucura explora em minúcias, sem mitificação, os aspectos pessoais da vida do aviador e os detalhes de sua personalidade controversa.
A infância em Minas Gerais, cercado pelas obras de Júlio Verne e pelas narrativas históricas dos primeiros voos em balões. A chegada a Paris e as experiências inéditas com o balonismo e os dirigíveis. A inventividade e a ousadia nos costumes que fizeram do reservado brasileiro a coqueluche da capital francesa. A ousada circunavegação na torre Eiffel, em 1901, diante da plateia embevecida. A tão sonhada fama e o carisma que o tornaram, durante um determinado período, o homem mais célebre do mundo. Os distúrbios psicológicos e a morte precoce cujas circunstâncias são, pela primeira vez, reveladas integralmente
Hoffman conta a história de um homem atormentado, cujo papel foi decisivo para a modernidade e que simbolizou o espírito torturado do século XX.

Bom, agora o que achei hehe eu gostei bastante! Com certeza é uma leitura que vale a pena, principalmente para aprender um pouco mais sobre Santos-Dumont e como foi a construção dos seus balões, as primeiras máquinas mais pesadas que o ar e mais algumas coisinhas 🙂
Como eu falei, o autor é bastante imparcial (uhuul) e escreve com bastante detalhes. Isso é bom e ruim, né? Eu acho interessante (tentar) entender a lógica da construção das máquinas, mas tem horas que ele se perde um pouco na história. Quando o autor menciona alguma coisa nova, ele faz uma contextualização de várias páginas sobre essa nova coisa haha mas tudo bem, o livro é bom de qualquer maneira.
É impossível ler e não ficar admirado com a ~loucura~ de Dumont e a persistência, porque o que não faltou foram pessoas falando que ele era louco e ele jamais conseguiria transformar os balões em um transporte pessoal ou fazer um balão guiado ou uma máquina mais pesada que o ar. E, o que aconteceu? Isso mesmo, um tapa na cara dessa galera ae. É realmente inspirador 🙂
Só o final que é triste 🙁 Acho que muitos sabem o porquê, mas não vou comentar aqui para não estragar a surpresa (?).

Santos-Dumont com cara de quem deu um tapa na cara da sociedade.

 

O tão famoso 14-bis, a primeira máquina mais pesada que o ar a sair 
do chão por impulsos próprios.

 

[SPOILER ALERT]
 
[SPOILER ALERT]
 
[SPOILER ALERT]
 

Saquem essa parte do livro:

Muitos meninos sonharam em ter uma máquina de voar que poderia decolar e pousar em qualquer lugar sem precisar de uma pista de pouso. No século 21, mesmo um poderoso industrial cosmopolita não pode voar até seu restaurante favorito, ao teatro ou a uma loja. Um único homem na história usufruiu essa liberdade. Seu nome foi Alberto Santos-Dumont, e seu corcel aéreo era um balão dirigível.

Sim, ele tinha um balão pessoal! E foi a única pessoa até hoje a fazer isso! Ele queria ir num restaurante, ele saía de casa com o balão, ~estacionava~ na frente do lugar, amarrava as cordas num poste e era feliz. Acho que não consigo nem imaginar a cena haha.

Sobre Dumont x Wright, o autor conta que os irmãos estadunidenses teoricamente fizeram o primeiro voo tripulado, mas como eles se isolaram em uma praia, com poucas testemunhas, é difícil dizer o que realmente é verdade. O que nem se compara aos voos de Dumont, em Paris, em frente a uma multidão. É ~engraçado~ ver a luta que os irmãos passaram para serem reconhecidos, criticavam Dumont e eram igualmente criticados pelos jornais e pelo público, e Dumont lá de buenas continuando com as suas invenções. O interessante é que Dumont só queria que todo mundo pudesse voar, que tivessem as suas próprias máquinas, e como veio de uma família rica, nunca teve interesse em patentear as invenções. Claro que ele ganhava dinheiro dos prêmios de corridas, mas da para perceber que ele fazia tudo isso pelo seu objetivo maior: que todos pudessem voar. Justamente o contrário dos irmãos Wright, que fizeram com a intenção de vender para os militares (já estavam quase na I Guerra Mundial) e ganhar muito dinheiro.

No final do livro, o autor conta que veio ao Brasil para pesquisar sobre Dumont e foi às ruas ver o que as pessoas achavam dele e ficou boquiaberto como todo mundo falava com muito respeito e admiração de Dumont. Ele conta que foi a um museu numa academia da Força Área Brasileira, no Rio de Janeiro, ver o coração embalsamado do aviador brasileiro e termina com as palavras do soldado que o estava acompanhando:

“Diga-me”, indagou ele em posição de descanso, “por que as pessoas de seu país insistem em que os irmãos Wright foram os pioneiros a voar? Ninguém os viu naquela maldita praia. Sem testemunhas, qualquer um pode reinvidicar qualquer coisa. Todos em Paris viram Santos-Dumont voar. Por que o mundo se esquece dele? E de sua mensagem de que o avião não deveria ser usado para destruição? Quantas vidas teriam sido salvas?” Ele fez uma pausa e olhou para o chão. “Se tivéssemos atentado para a sua mensagem, não haveria necessidade de uma Força Aérea Brasileira, e eu estaria em outro ramo de trabalho.” O soldado secou os olhos. “É sua missão”, disse ele, “contar ao mundo sobre Santos-Dumont. Faço isso pela glória do Brasil”!

Com certeza vale a pena ler esse livro! 🙂

E vocês? O que estão lendo agora? Contem aí! 😀

Você me encontra aqui também -> 

Compartilhe isso: