Os Mistérios de Miss Fisher, uma série sem medo de polêmicas

Heyy!

Quem aí já ouvir falar ou já viu Os Mistérios de Miss Fisher (Miss Fisher’s Murder Mysteries)? Confesso que não lembro onde eu li sobre essa série pela primeira vez, mas eu lembro que o que me deixou interessada foi o fato de que a personagem principal é Miss Fisher e ela é uma detetive particular em plena década de 20 na Austrália.

Série policial + personagem principal feminina + série de época = Muito amor e com certeza eu assistiria.

E não deu outra. Me apaixonei por Phryne Fisher e pela série toda logo no segundo episódio.

(Não achei trailer legendado ou dublado :/)

Uma série policial com um toque diferente

Resumidamente, Miss Fisher (Essie Davis) é uma detetive particular em Melbourne, no final da década de 20 e a cada episódio ajuda o Inspetor Jack Robinson (não por vontade dele) a resolver algum assassinato. A personagem principal teve uma infância pobre na Austrália, mas durante a Primeira Guerra, sua família recebeu uma grande herança, então ela pode estudar na Europa, onde aprendeu várias línguas, artes marciais, a dirigir, a pilotar um avião e entre outras coisas pouco convencionais para as mulheres da época.

A trama da primeira temporada é em torno de Murdoch Foyle, o suposto sequestrador e assassino da irmã de Fisher, Jane. Inclusive, Phryne retorna a Melbourne para garantir que ele nunca será solto, mas há muitas reviravoltas nesse caso e ele começa a ganhar destaque mais para o final da temporada.

Miss Fisher e inspetor Jack da série Os Mistérios de Miss Fisher

Inspetor Jack e Miss Fisher

Como falei, adoro séries policiais, então esse já é um grande motivo pelo qual me apaixonei, mas tem muitos outros 😀

Phryne Fisher não tem nada de convencional

Fisher é uma mulher bem diferente das da sua época e meu sonho é ser igual ela quando crescer haha Vou listar alguns pontos que se destacam para uma mulher da época ou pela série em si.

  • Ela está na casa dos 30: convenhamos, já é bem difícil encontrar personagens principais femininas e, quando encontramos, ou é bem nova ou bem mais velha.
  • Ela não é casada: se hoje em dia ainda há quem julgue uma mulher de 30 e poucos anos que não é casada, imagina em 1928.
  • Ela taca o foda-se para o que os outros julgam “adequado” para uma mulher: ela dirige, ela sabe pilotar um avião, ela tem uma arma, usa a roupa que quer, inclusive calças (mulheres só usavam saias ou vestidos) e beija e dorme com quem está afim.

Essie Davis como Miss Fisher

Escrito, produzido e feito por mulheres

O seriado é baseado nos romances da escritora australiana Kerry Greenwood e é produzido por Deb Cox e Shelley Birse.

Pelo jeito de agir de Fisher e todos as outras personagens (muitas mulheres fortes que possuem grande importância na série e não é por serem “mocinhas”) você sabe que tudo é feito por mulheres.

Greenwood conta um pouco sobre a criação da personagem principal:

Phryne é uma heroína, assim como James Bond ou o Santo (The Saint), mas com menos endosso de produtos e uma melhor classe de amantes. Eu decidi tentar um heroína e a fiz tão livre como um herói do sexo masculino, para ver o que ela faria.

miss-fisher-writers

Contexto histórico

Nós estamos em 1928, uma década após a Primeira Guerra Mundial, e, por se passar na Austrália, nós temos alguns fatos que não vemos em séries de épocas dos EUA ou da Europa Ocidental. Por exemplo, como em vários países, a Austrália recebeu milhares de imigrantes durante e após a Guerra, principalmente da Europa Oriental. Em um dos episódios, o destaque vai para os imigrantes da Letônia (duvido que você tenha visto uma série com personagens da Letônia).

A eletricidade não foi descoberta há muito tempo e, inclusive, umas das personagens principais que veio a ser assistente de Fisher, tinha medo de usar o telefone, pois o seu padre falou que a eletricidade iria atingir o núcleo da Terra e fazer o mundo explodir.

Bem doido. Mas é a época!

Sem falar no figurino lindo. Em entrevista para a Vanity Fair, Marion Boyce, costume designer da série, afirma que Fisher não usava roupas convencionais para as mulheres da época, mas também tinha que pensar em todos os movimentos da atriz (dançar, subir em prédios, correr etc) e também na bolsa em que Fisher carregava a sua arma (ela tinha que ter o tamanha adequado para a arma e para as outras coisas). O mais legal é que Boyce só usou tecidos que se podia encontrar na época (eu sei que isso seria óbvio, mas não é o que sempre acontece), como muita e muita seda.

figurino de Miss Fisher

Temas polêmicos para a época e para os dias de hoje

Parece que Os Mistérios de Miss Fisher não se cansa de tabus (e vocês sabem como eu gosto de uma série que fala deles, né?). Em cada episódio, uma situação é polêmica é retratada, tanto para a década de 20 como para os dias de hoje.

Os assuntos são bem variados, como aborto clandestino, casamento inter-racial, homossexualidade (que podia dar até pena de morte na época), liberdade feminina, imigrantes, comunismo e muito mais.

Parece uma mistureba, mas tudo é abordado no contexto da série de forma muito interessante.

miss fisher

E isso tudo sem falar da própria história haha 😀

A terceira temporada estreou ano passado na Austrália e a Netflix dos EUA já tem as três temporadas. Na do Brasil, você encontra as duas primeiras 🙂

Alguém mais acompanha essa série? E, se você assistir, me conta o que achou!

 

Você me encontra aqui também -> 🙂

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  • Série muito maneira!

  • Lorenna C Martins

    A forma como temas importantes, sobretudo a respeito de como as mulheres viviam, e o machismo de cada dia (atual inclusive) é um dos temas que me fascinam na série, além do suspense, e fotografia e figurino!

    • O figurino é simplesmente apaixonante!
      E, sim, apesar de ser uma série de época, os temais são muito atuais, é impressionante como vemos muitas coisas acontecendo ainda hoje.